Quero ser frágil.
Sofrer... verbo
intransitivo, 2ª conjugação, mas que “bate” de 1ª na alma, na vida, nos coloca
no chão, nos deixa sem chão, nos faz fraquejar.
Não se escolhe sofrer,
ele nem bate a nossa porta, entra sem pedir licença, nos arrasa, nos estraçalha...
mas também nos faz crescer.
Nos faz entender que além
da linha tênue, o sofrer deixa de existir, para quem a atravessa. Nos faz
entender que somos fortes, além do que imaginamos.
Somos capazes de deixar
no túmulo o corpo inerte da pessoa que mais amamos e ainda dizermos: foi o
melhor pra ela, descansou. Deus sabe o que faz. Ele quis assim... Será?
Somos capazes de voltar
para casa e enfrentar o silêncio da sala vazia, do quarto sombrio.
Somos capazes de abrir as
gavetas e doar aquilo que a pessoa mais amava. Isso é sofrer!
Somos capazes de abraçar
um amigo, não dizer uma palavra e ele entender tudo.
É... o sofrer nos torna
forte... mas eu preferia ser frágil e ter de volta o sofrimento da pessoa, A
PESSOA, meu choro... meu amigo, minha mãe, meus irmãos...
Quero ser frágil, se o
sofrimento for a única maneira de ser forte!
Por Luzete Valente