O mundo assistiu atônito, no dia 11de setembro de 2001, com estupor e indignação, ao irromper da demência humana nos atentados terroristas nos Estados Unidos. As tragédias nos dão a dimensão da inumanidade de que somos capazes. Mas também deixam vir à tona o verdadeiro humano que habita em nós.
Com o mesmo estupor e indignação, assistimos a tragédia que nos atingiu nos últimos meses e que nos faz repensar os rumos da política brasileira. Haverá arca de Noé que salve alguns e deixe perecer os demais? Temos que nos salvar a todos, a comunidade de vida de humanos e “não-humanos”.
Terrorismo e terrorismo. O que é pior? Ver o seu País devastado pela corrupção ou prédios destruídos dizimando milhares de vidas. E nossas vidas? A dimensão é a mesma, o terror é o mesmo, a desilusão é a mesma. Procurar entre escombros a dignidade perdida é pior que procurar corpos espalhados pelo chão. Pelos menos ao procurar corpos, há esperança de vida, mas ao procurar vida, imagina-se achar o óbvio: a ética, a dignidade.
Um País sem ética política e social é um caos. São “donas Duviges” morando em cavernas no sertão nordestino, são missionários assassinados ao defender o pedaço de chão, são pobres desempregados, são crianças revirando lixos em busca de pão. 11 de setembro está a cada dia na vida do povo brasileiro. São bombas para todos os lados. Quem paga tudo isso são pobres, miseráveis, que não podem nem comprar uma pizza para comemorar o fim do “atentado Roberto Jefferson”, pois como todos sabem “tudo acaba em pizza.”
É preciso “exorcizarmos o medo quando fazemos do distante um próximo e do próximo, um irmão e uma irmã. Afastamos o medo do inimigo quando começamos a dialogar e no diálogo a nos conhecer e no conhecimento a nos aceitar e na aceitação a nos respeitar e no respeito a nos amar e no amor a nos cuidar.”(Pe.Fábio de Melo) Cuidar de nossa formas de convívio, escola, família... na paz, na solidariedade e na justiça. Cada um é chamado a colocar o seu tijolo na construção deste santuário da paz, da cooperação do amor fraterno.
Que o Deus Criador que habita em cada um de nós, que conduz misteriosamente os caminhos da história, nos acompanhe com sua luz e calor para construirmos ou melhor reconstruímos um País de pessoas felizes, valorizadas e HUMANIZADAS.
Por isso: Salve dona Duvige, seu Lourenço, Irmã Doroty, Xico Mendes, Meninos Carvoeiros, Tião, Otávio, Tim Lopes, eu e você, que lutamos por um Brasil justo, digno, solidário e humanitário.
( Professora: Luzete de Fátima Valente Teixeira, em Crônicas do Amor Maior. 2005)